#12

12

 

Estou no mercadinho em Copacabana que frequento e novamente estou no caixa pagando por uma única garrafa de Vodka. Sem Pão dessa vez por que não pretendo comer coisa alguma ao chegar em casa. Assim que efetuo o pagamento saio sem pressa da loja e ando tranquilamente pelas ruas da cidade, enquanto o sol se põe e as últimas lindas mulheres de biquini se vão. O bom e velho cartão comercial da cidade. Comptemplo tudo isso enquanto abro a garrafa no caminho. Já não consigo esperar. As mulheres me dão olhadas maliciosas, e retribuo os olhares porém sei que nesses últimos dias não tive tanta vontade de me deitar com qualquer mulher. Quem sabe amanhã. Afinal acho que já estou com saudade dessa parte da rotina.

Depois de uma caminhada de vinte minutos chego no meu prédio. O sol se foi dando lugar á uma brilhante lua. Não é porra nenhuma de romantismo, ela realmente estava brilhando. Passo pela portaria, onde o porteiro parece pegar uma correspondência para mim, mas assim que eu passo direto por ele sinto no ar a desistência e as cartas já estão guardadas de novo, sem pressa para chegar nas minhas mãos.

Chego perto do elevador social, aonde do meu lado também esperando por ele está a senhora Leal com seu filho de cinco anos. Tomo um gole direto da garrafa. Não demora muito o elevador chega, sem pestanejar entro nele, mas noto que a senhora Leal e seu filho não. Eles estão na minha frente. Vão esperar eu chegar no meu andar e chamar o elevador de novo. Vadia. Merda. Acho que ela não é isso. A porta do elevador começa a fechar enquanto penso nisso. Bem perto de fechar tudo, vejo por uma fresta o filho dela me olhando com uma cara curiosa, não consigo parar de olhar para ele. Me sinto triste e decepcionado com o que me tornei pessoalmente. Vendi meus sonhos? Não, mas os meu Ideias foram prostituidos e só percebi isso agora. A porta se fecha e eu tomo mais um gole.

Chego no meu andar e vou na direção do meu apartamento, em seguida abro a porta dele e entro. Está tudo escuro, exceto pela luz que emana do meu notebook em uma mesinha perto da cozinha. Não acendo luz alguma e vou na direção dele.

Está tudo “normal”, da mesma maneira como o deixara semana passada ou desde que me mudara. Não importa. Coloco minha garrafa do lado dele que estava com uma página em branca do Word ligado e nela só estava escrita o meu nome. Um grande branco. Uma página esperando por palavras. Palavras que não sabia falar. Minimizo o word, e sem saber por que vou ver meu msn vazio, mas dessa vez encontro uma supresa. Alguem me adicionara e mandara um recado. Fora ela e no seu recado estava escrito que não pudera esperar que eu pegasse seu número com Gustavo, então ela pegou o meu mais o meu e-mail. Sem saber por que e sem me importar com isso dou um sorriso, logo depois, maximizo a página do Word de novo e deixo o computador sozinho.

Na sala, vejo um velho toca disco, que meu pai usara bastante. Gostava do som que saia dos LPs, era mais humano, o que é bastante estranho para uma pessoa tão anti social como eu. Não me importo com isso, o som é bom demais. Na estante pego um velho vynil do Raul Seixas. O dia em que a terra parou. Coloco-o no toca disco e boto para tocar na segunda faixa. Pego um cigarro do masso na minha calça e acendo-o na minha boca e logo em seguida começo a andar em direção da sacada iluminada pela lua enquanto levanto a garrafa de Vodka na direção da minha boca. Tomo mais um gole e já na sacada olhando para o céu começo a escutar atentamente “Maluco Beleza”.

#11

11

 

Depois de mais alguns minutos, estava entrando no prédio do Gustavo. Depois de estacionar o carro, ajudei ele a sair, o que foi dificil por que ele estava pesado e ainda bêbado. Depois de ter conseguido fechei o carro, e segurando ele pelo braço esquerdo, cambaleamos até o elevador que demorou a chegar. Com certeza são as malditas crianças que tem em todos os prédios simplesmente “passeando” com o elevador de um andar ao outro.

O elevador chega e imediatamente eu entro com Gustavo. Uma maldita criança sai de lá, se pudesse…Melhor nem pensar nisso, tem dias que eu realmente acho que sou uma má pessoa, mas ainda sim não me importo. Dentro do elevador Gustavo começa a procurar a chave de casa em algum bolso. Como todo mal bêbado ele começa a falar do meio do nada.

-Pelo dêmonio! Por que você voltou? Foi por causa do seu coméntario sobre drogas?! Você não devia quase incentivar crianças a fumarem, e ainda teve mais…- Eu sei como é etar bêbado. Já estive assim uma vez, mas depois dessa única vez criei estômago forte. Bem forte.

-Cale a boca!Você é um péssimo bêbado, dá até vergonha á classe- Eu estou rindo por dentro e ele por fora.

O elevador pra minha sorte chega no andar dele e logo estamos cambaleando pelo hall até chegar na porta de seu apartamento de novo. Ele ainda não achou a chave, então coloco a mão em um bolso de sua calça e no mesmo momento tiro as chaves que ele não conseguia achar. Abro a porta e entramos em um claro apartamento de uma pessoa casada e com filhos. Coloco ele no sofá da sala de estar e procuro saber se tem alguem na casa. Ninguém. Ele ainda está deitado no sofá quando ele me avisa que a sua mulher vai chegar daqui a pouco com as crianças. Me pergunto se isso não é algo induzido pelo álcool. Que se dane. Ele está bêbado demais para se levantar mesmo, mas antes pego na cozinha uma pequena garrafa de whisky, igual aquelas que servem em aviões. Dever ser.

Estou abrindo a porta do apartamento para ir embora quando Gustavo volta com seu papo de bêbado.

-Por que você voltou? Não pergunto isso como agente, mas como amigo. Merda. Foi por causa da morte do seu pai. Merda você está vivendo o apartamento dele e não mudou nada lá. Crise Pra escrever? Uma maldita dessa finalmente te pegou de jeito. Merda o que foi afinal?! Foi a T…? – Ele está bêbado mas ainda pensa bem – Bem, o que quero dizer é que…

-Eu não sou um personagem de filme, série ou livro. Não tenho motivos grandes pra fazer essa coisas. Isso é tudo neurose sua. Merda. Muita merda. Você não deveria beber, não mesmo. De qualquer forma eu já vou. Boa ressaca.

Estou prestes a fechar a porta atrás de mim quando ele fala uma última coisa.

-Um dia desses você tem que me dizer o por que. Você tem que…- Ele cala a boca subitamente. Acho que dormiu, mas ainda sim respondo.

-Ok – Falo isso com um olhar pra baixo e depois fecho a porta e vou embora.

#10

10

 

Terminei meu terceiro cigarro esperando Gustavo dar as caras aqui na frente, acho até que já vi o cara sentado na mesa conosco ir embora, mas ainda sim nenhum sinal de Gustavo. Quando entro lá logo o vejo ainda na mesma mesa só que agora bebendo alguma coisa. Me aproximo dele, chegando na mesa percebo que ele está tomando algo no copo e logo vejo uma garrafa de Vodka do lado dele. Ele está bêbado. Sempre fora fraco para beber. Seguro-o pelo braço e o levanto para leva-lo para fora, porém antes disso apareçe o garçom e me diz que ainda não foi pago a conta. Apesar de bêbado ela confirma isso. Tiro do bolso de trás de sua calça a carteira e de lá retiro o dinheiro que paga a conta e depois coloco a carteira no lugar de novo e tiro ele do restaurante.

Na rua, ele procura pelos bolsos a chave de seu carro e tenta abri-lo, porém não consegue, então e tiro a chave de sua mão abro a porta, logo em seguida coloco-o no banco de carona e vou pro banco de mostorista. Brinco com ele que eu queria carona e não dirigir, mas ele está bêbado demais para entender uma simples piada sem graça. Começo a dirirgir pelas tumultuadas ruas do Rio. Acho que por isso que nem penso em comprar um carro. Enquanto dirijo procuro por algum bom CD no carro. Encontro nada que me interessa. Pensava que ele tinha bom gosto. Me enganara.

Estamos bem perto de seu prédio, quando passamos bem do lado de um restaurante, bem na sua frente está estacionados vários motos com seus motoristas, todos moto-boys. Nesse exato momento chega mais uma moto, da qual conheço sua placa muito bem.  ”hgv-9898″. Paro o carro no meio fim sem pensar em nada, e saiu do carro levando a chave no meu bolso da calça. Estou andando rapidamente na direção do motorista da moto com a placa que eu conheço tão bem. Ele acabara de tirar seu capecete quando vinha em sua direção, não deve ter passado nenhum pensamento na sua cabeça, quando lhe desferi um golpe certeiro na sua cara, ele cambaleou para trás, e logo em seguida lhe desferia vários outros golpes até que ele caiu no chão. Percebi um outro moto-boy se aproximar de mim, e logo o encarei, em questão de segundos ninguém sequer pensaria em me interromper. O mostorista se contorcia no chão quando lhe chutei a barriga. Lhe desferi outros dois chutes. Não pensava em nada, além de vingança. Vingança pelos insultos dele que me insultaram mais do que para as pessoas da qual realmente fora desferido tais comentarios. Parei de chuta-lo e começei a mexer no seu casaco, lá encontrei seua carteira, abri-la e peguei a sua abilitação de motorista e rasguei em vários pedaços que joguei em seguida na sua cara, que só expressava dor. Dei dois passos em direção do carro, mas dei meia volta e fui na direção da moto dele, onde peguei a chave que ainda estava lá e a joguei para bem longe, na direção da praia do outro lado do cruzamento. Olhei para ele mais uma vez no chão, novamente sem pensar desferi um chute bem forte e disse para parar de insultar as pessoas no trânsito de uma maneira bem ameaçadora.

Com bastante calma voltei para o carro de Gustavo, qua apesar de ainda sofrer efeitos do alcóol, estava chocado com o que acabara de fazer. Liguei o carro e disse-lhe calmamente que se ele sofresse qualquer multa por ter estacionado no meio fio eu pagaria. Ele concordou com um simples aceno de sua cabeça. Logo estava com o carro em movimento de novo.

#9

9

 

Já amanhaceu faz horas, apesar de ter levantado levantado relativamente cedo, 10: 00, ainda fiquei deitado por mais uma hora e meia, inicialmente pensando na vida ou na falta de uma, até que minhas neuroses resolveram atacar, e desse momento em diante passei a lutar contra elas. Maldita Mente eu tenho as vezes, acho que é o preço por ser genial. Todo gênio é pirado. “Louco” não é uma palavra que expressa o grau de insanidade que nos ataca desprevenidamente.

Quando o relógio do lado da cama marca onze e trinta e cinco, me levanto da cama, com a mesma roupa de ontem, e saio do apartamento sem ao menos trocar uma palavra com Susana. Ela deve me achar um cretino maior a cada dia que passa, mas afinal quem se importa? Eu certamente que não.

Eu já estou andando pelas calçadas de copacabana, usando um ocúlos escuro que estava em um bolso de minha calça. Achava que tinha perdido ele um há um mês, desde que mudara pro Brasil de novo.

Estou me dirigindo a um restaurante que Gustavo me mandou ir afim de encontra-lo. Acho que ele me disse isso antes de sair, mas me pergunto se isso não passou de algum sonho, já que não me lembro de ter visto ele indo embora, não me lembro de nada para falar a verdade. Devo ter desmaiado.

Depois de uma caminhada de quinze minutos, cruzando várias mulheres bonitas que me dão olhadas profundas, chego até o restaurante. Logo que entro nele, me sinto perdido diante a esse mar de rostos, mas após alguns segundos vejo Gustavo levantar-se de sua mesa, usando roupa formal, e acenar em minha direção. Sem pressa, ando até chegar lá, e quando o faço percebo quem tem outra pessoa na mesa. Ele é um cara com uns quarenta e poucos anos de idade, usando uma roupa formal tal como Gustavo porém com ocúlos de grau. Penso que isso deve ser alguam proposta idiota de algum emprego idota para escrever algo igualmente idiota, então agradeço a minha preguiça, por que ele já deve ter mudado de idéia imediatamente após me ver com uma roupa amassada e fedendo á uso de dias. Amém a isso.

Eu me sento sem cerimônia e logo Gustavo passa a nos apresentar um ao outro, não presto atenção alguma, me importando mais no que faria assim que saisse de lá. Merda. Boa pergunta essa, o que eu faria após sair de lá?

Acendo um cigarro ali mesmo, sem me preocupar em saber se podia ou não. Logo Gustavo começa e me dizer a tal proposta do cara sentado na minha frente. Aparentemente eu ganharia uma boa quantia para escrever mensalmente artigos sobre cinema e televisão para uma revista pop no estilo da Rolling Stones, só que sem qualiadade apesar de dar bastante lucro. Não me importo com o dinheiro, só com a minha reputação que até então, profissionalmente era mais do que perfeita.

Dou uma tragada e começo a falar com Gustavo, ignorando a presença de uma terceira pessoa ali.

- Sabe Gustavo, aqui no Brasil você sempre fora meu representante, e como nunca vinha aqui você tinha que fazer bem pouco, porém agora você é meu agente, e apesar disso você está me tratando feito uma prostituta. Uma prostituta barata. Por algum motivo você acha que eu sou uma e que você é meu cafetão. Está longe de ser assim. – Logo após dizer isso dou mais uma tragada e começo a falar com o outro cara que até em tão não dava sequer vestigios de atenção – Bem, Caro…Seja lá qual for seu nome, diga a sua revista que não estou interessado em trabalhar para ela, mas quem sabe quando estiver pobre, o que está bem longe de acontecer, irei me prostituir pra vocês – Termino de dizer isso e percebo que ele está um tanto chocado, então dou mais uma tragada do meu cigarro.

Ele ainda está em estado de choque quando me levanto e aviso pro Gustavo, que assim que ele terminar com tudo isso estarei lá fora esperando por ele para me dar carona, logo após isso estendo minha mão e aperto a mão do cara que devo ter insultado agora. Foda-se. Vou embora do restaurante dando mais uma tragada.

#8

8

 

Chego no meu apartamento e para minha sorte todos exceto Gustavo e uma mulher na sacada bebendo algo foram embora. Meu apartamento está pior do que antes, eu não achava isso possivel, pelo menos todas as bebidas na vieram do meu bolso. Gustavo parece estar tentando arrumar parte da sala, ou pelo menos tirar os copos e taças caidas no tapete e algumas estrategicamente escondidas em cantos escuras. Todas vazias. Que azar. Ele me vê entrando e para de fazer o que exatamente ele esitvesse fazendo e vem em minha direção com um sorriso educado no rosto.

-Então, o que você achou? – Seu sorriso já parece ser sincero, ou ao menos ele sabe fingir sinceridade.

-As Bebidas estavam excelente. Sobrou alguma? – Pergunto pegando uma taça de martini que parece estar vazia da mesinha da sala. Merda. Está vazia mesmo.

-Qual é? Você gostou de outras coisas aqui que eu sei, você não parava de falar com a t…. – eu o interrompo antes que possa terminar de falar o que quer que ele fosse falar. Acho que sei o que era.

- Você parecia estar tendo um bom papo com ela – Me fala enquanto volta a tirar as taças e copos da sala.

- Eu já nem sei o que é um bom papo mais- Sinto que o que falei foi sincero, mas tenho uma impresão angustiante de paranóia de que falei mais uma mentira. Merda. Já nem sei quando minto.

- Do que vocês estavão falando? – Ele pega mais um copo porém o deixar cair no chão de novo, só não quebra por algum milagre.

-Bebidas – Vejo a mulher na sacada vindo na minha direção, ela é alta e bonita, parece ser bem sucedida, ela sorri pra mim, não sorrio de volta, por que stou ocupado demais lembrando de onde a conheço, percebo que ela deixa seu copo vazio de alguam coisa em uma estante no meio do caminho.

Ela se aproxima de vagar na minha direção, ela levanta sua mão direita, observo tudo tranquilamente pensando em quem é ela e o que estava bebendo antes. Por algum motivo a última pergunta me importa bastante. Ela desfere um tapa no lado esquerdo da minha face. Não doi muito. Conehço essa mão. Bem leve. Ela continua sorrindo e eu continuo a me indagar quem seria ela. Instantaneamente sai da minha boca uma frase pronta que não consigo conter.

-Desculpa, Eu dormi com você? – Estou olhando ela cara-a-cara novamente. Não me sinto envergonhado e ela parece achar graça disso tudo.

- Como você poderia esquecer de mim? – Ela ainda está rindo disso tudo.

- Sinto, eu dormi com você ou não? – Estou realmente sério e não en tendo por que ela ri de tudo isso.

- Ensino médio. Roubava todos seu filmes e Cds. Namorava com o Y… – Ela não termina de falar por que logo percebe que lembro dela.

- Meu Deus L, foi só você falar que me roubava que logo lembrei de você – Estou sendo sincero e ela sabe disso, e por isso continua a rir.

- Você deu noticias por dois anos, e logo esqueceu dos amigos, impressionante o que a fama faz com uma pessoa – Ela não para de sorrir. É impressionante.

- Eu não esqueci, bem, pelo menos não totalmente, é que eu fiquei bastante ocupado com o tempo. Deixei de ser um vagabundo como você dizia. Agora, você já está com um peso normal, não existe mais risco de ser levada pelo vento. – Brinco com ela como nos velhos tempos. Merda. Estou ficando velho, velho o suficiente para usar esses termos pelo menos.

- Vagabundo eu não sei… – Me diz enquanto olha pelo apartamento – Mas eu não era assim tão magra, agora, do que você tanto fala com a t…- Ela interrompe o que estava falando quando vê que eu pareço um tanto desconfortável com isso – Mas sim, vocês não eram tão amigos assim.

- Bebidas, falando nisso o que você estava bebendo – Fao apontando para onde ela deixou sua taça vazia.

#7

7

 

Já passou mais de duas horas. Metade das pessoas que invadiram minha casa já se mandaram, metade deles eu tenho certeza que nunca vi a outra metade me prometo que não verei de novo, apesar disso ainda estamos conversando na varanda enquanto as estrelas parecem estar entrando no céu assim como as pessoas entraram no meu apartamento. Misteriosamente. Merda, odeio essa palavra. Minha terceira garrafa de vodka já está vazia e eu meio bêbado, pelo menos eu acho que foi a terceira. Ela já terminou seu quinto Dry Martini mas ainda sim não parece mostrar sinais de que está ficando bêbada, ela simplesmente continua a sorrir e conversar comigo. Não estou falando daquelas conversas chatas de colegas que se encontram depois de 20 anos e começam a dizer o que aconteceu com eles desde então, e sim uma conversa normal de amigos que se vêem todos os dias. Merda. Ela olha pro seu relógio de pulso Merda, será que ela já se cansou de conversar comigo ou será que ela já se cansou de ser educada conversando comigo e não consegue conter a vontade de ir embora. Droga. Maldita insegurança. Não sentia uma insegurança assim há anos, acho que desde que tinha uns treze anos e apesar de já escrever bem tinha um medo crescente de não conseguir exercer a profissão ou de ser bom, por sorte ou algo assim, me tornei, a única coisa que me impedia de ficar louco e ser internado em um hospício era um sentimento verdadeiro de que conseguiria apesar de muitas vezes não acreditar nesse “verdadeiro”. Merda, que pensamento deprê. Droga, ela falou algo, vi seus lábios se mechendo, mas essa maldita neurose me impediu de escutar as suas palavras. Merda.

Ela continua falando, escuto algo sobre ela ter que ir pra casa descansar antes do turno dela no hospital. Ela começa a andar em direção da cozinha eu a acompanho enquanto viro a garrafa de Vodka na minha boca pra ver se ainda tem algo lá. Nada. Merda. Passamos pelas pessoas que ainda não estão bêbadas o suficiente pra cair dormindo no chão ou as ainda sóbrias que só querem ir quando não conseguirem ficar em pé. Chegamos na cozinha onde ela deixa a sua taça de Martini e eu a minha garrafa de Vodka. Rapidamente com um olhar procuro por outra. Nada. Com esse olhar de um ou dois segundos, não vi que ela já está quase abrindo a porta e indo embora. Rapidamente corro em sua direção e abro a porta, ainda na porta ela começa a se despedir mas antes que ela possa finalizar qualquer palavra já estou falando, perguntando se ela não quer companhia até seu carro. Ela me diz que vai de Taxi mas ainda sim aceitaria a minha companhia. Fecho a porta atrás de mim, deixando pra trás todos os meus outros “convidados”. Ah, como se eles fossem sentir minha falta.

Saimos do elevador. Já estamos no hall do térreo, passando pelo porteiro, que parece estar com medo ou raiva de mim. Com sorte os dois, assim ele me deixa em paz. Nós saimos do prédio, por sorte do lado tem uma ponto de taxi. Andamos até a direção do ponto, chegando lá só tem um taxista, abro a porta do único taxi enquanto ela entre no banco de trás e ele no banco de motorista. Ela se despedi brevemente de mim e eu faço o mesmo, logo em seguida o carro já está entrando na rua enquanto o sinal abre. Olho no começo ela ir embora, depois de dois segundos começo a andar de volta para o prédio enquanto coloco minha mão no bolso da calça atrás de um cigarro. Nenhum. Merda.

Não consigo dar três passos, ouço alguém do sentido contrário me chamando, viro de novo e vejo o taxi parado enquanto o sinal está aberto. Corro em sua direção, mas antes me certificando que não tem nenhum outro carro na rua para me atropelar. Chegando perto da janela do banco de trás, vejo ela que pede pelo meu número telefônico, respondo rapidamente que não sei, mas que Gustavo sabe o dela e que pegaria com ele. Ela começa a fazer mais um de seus sorrisos, porém não vejo ele totalmente, por que atrás do taxi vem uma luz forte e que me cega por alguns segundos. Só consigo ver alguma coisa de novo depois que a moto passa “correndo” por mim, quase me atropelando, mas antes sumir, escuto o motorista da moto gritando “Puta”, provavelmente para ela. A moto desapareçe nas ruas iluminadas, mas antes disso acontecer gravo mentalmente a placa da moto: “hgv-9898″. Merda. Desgraçado.

Eu volto a olhar ela, que está raivosa e indignada com isso, mas ainda sim finge um sorriso para mim antes de ir. Vejo o taxi se distanciando da minha vista. Ainda estou na rua com o sinal aberto. Não me preocupo em ser atropelado mais, e ando calmamente para calçada e eventualmente o prédio.

#6

6

 

Já é noite, deixei minha mãe em casa e peguei um taxi pro meu prédio, ao chegar perto da entrada tiro um cigarro do último maço no meu bolso, penso que tenho que comprar mais se não tiver em casa. O acendo e dou uma longa tragada, logo após ela entro no prédio. O porteiro tenta chamar a minha atenção, porém ele desiste após eu dar mais uma tragada. vou na direção do elevador social, do meu lado tem uma loira bem gostosa esperando o elevador, percebo que ela me olha enquanto procuro no meu bolso as chaves do apartamento. O elevador chega, a deixo entrar primeiro e somente depois entro, ambos pressionamos os botons de nossos respectivos andares. A porta se fecha e trocamos olhares.

A porta do elevador se abre no meu andar, dentro dele, estou na maior pegação com a loira, meu ziper está aberto. Lentamente sem tirar lábio de lábio vamos na direção do meu apartamento. Sinto a mão dela se aproximar da minha calça, logo depois dentro dela, enquanto isso abro a porta do apartamento com a chave já na minha mão. A porta abre, ainda na maior pegação ligo a luz e do escura várias pessoas que não vejo desde a época do colégio pulam e gritam surpresa. Malditas pessoas.

Já se passou uns dez minutos e a loira foi embora deixando só o número telefônico dela. Pessoas do meu tempo de colégio continuam a me comprimentar, algumas ainda fazem piadinhas sobre a situação na qual elas me encontraram. Poucas faces eu realmente reconheço, e um número ainda menor de faces com que eu chego próximo de me importar. Pego uma garrafa de vodka na mesa e vou em direção da sacada, o único lugar sem ninguém no apartamento. Deus abençoe a vodka e aquela sacada.

Essa tranquilidade dura por apenas uns dois minutos, até que de dentro do barulhento e cheio apartamento sai para entrar na sacada, uma linda mulher morena, estatura média e com um sorriso que poderia até por alguns minutos tirar a minha cara amarrada. Ela segura uma taça de Dry Martini. Deus abençoe o Dry Martine e todas as outras bebidas álcoolicas. Ela tem um rosto familiar. Mentira horrivel. Conheço seu rosto, talvez nunca tenha esquecido. Merda. Nem pareço mas eu mesmo falando. Merda.

Ela se aproxima de mim com um sorriso impecável enquanto continuo a fingir que não estou ciente de sua presença. Seria melhor se fosse assim. Muito melhor. Ela começa a falar comigo, enquanto coloco a garrafa de Vodka na minha boca e entorno uma boa dose.

- Eu acho que neste ponto da vida, você já não se lembra mais de mim- Ela me fala ainda com um sorriso prenchendo a boca.

- Você não faz idéia de quanto eu não lembro- Minto pra mim, por que é mais fácil assim.

- Sou eu. Que bobo dá minha parte dizer isso. Ok. Lembra da garota que você gostava no ensino médio, quando você era só um sociopata tímido, sabe antes de começar aparecer na porta de sua própria casa da maneira que chegou hoje- Ela ri enquanto fala. Um riso de criança que rir por rir.

- Honestamente…- Começo a falar, porém ela me interrompe.

- Sim- Diz secamente porém ainda sorrindo.

-Pra começar não era uma pergunta, o que eu ia dizer era, honestamente não- entorno a garrafa na minha boca logo em seguida.

-Ah…sim- O sorriso desapareçe de sua boca enquanto seu corpo deve ser tomado pela tímidez. Merda. Nem mais sei o que é uma tímidez espontânea e verdadeira.

Entorno a garrafa na minha boca de novo, porém nada sai dela. Vazia. Maldito vazio. percebo que está mais vazio que a minha carteira nesse momento e me dirijo a cozinha com fins de pegar algo para beber e depois ir pra algum outro lugar vazio. Talvez o vazio não seja tão maldito assim. Sim. Bendito vazio.Porém depois de uns cinco passos, ela volta a falar comigo.

- Então, você vai fazer comigo o mesmo que eu fazia com você? Simplesmente terminar a conversa desagrádavel e ir embora- Ela tenta formar um sorriso, mas tudo que sai é um protótipo de um sorriso.

- Ao menos você sabe que a conversa é desagrádavel- Falo secamente enquanto tento voltar a andar pra pegar mais bebida. Não consigo.

- Isso foi rude- O protótipo de sorriso desaparçe e tomando seu lugar surge uma cara fechada.

- A vida é rude- Levanto a garrafa vazia de vodka no ar, quase que brindando a minha última frase.

- Não, você que é- Sua cara fechada agora é uma face de pura raiva.

Não sei por que mas dou um sorrisinho- Ok, eis o que aconteceria em qualquer outra reunião de colegas de época de colégio, nós nos encontrariamos, falariamos um pouco, sem dúvida beberiamos muito e fingiriamos estar interessados pela vida atual do outro, o que eu fiz foi pular os passos desagrádaveis. Sim talvez eu tenha sido rude, mas fui honesto, o que é uma boa virtude, não concorda? – O sorrisinho continua no canto da minha boca por motivos que não entendo.

Ela se cala com sua cara de raiva, enquanto volto a me dirijir a cozinha, porém ainda dentro do espaço da sacada paro e volto a encara-la.

- Então, você vai querer alguma bebida para que possamos continuar nossa discurssão? – Seu rosto de raiva some e no lugar apareçe um rosto confuso, mas mesmo assim ela concorda balançando a cabeça – Ok, T.- Falo rapidamente antes de ir pra cozinha.

#5

5

 

No meio do caminho até ao restaurante ela começa a reclamar que está é a segunda vez que nos vemos desde que me mudei há dois meses pro Rio. Talvez ela tenha razão. Maldição. Não posso deixa-la achar que tem razão se não ela vai piorar nas reclamações. Ainda me pergunta se eu falei com algum amigo meu dos tempos de escolas. Meus amigos. Que estranho só pensar isso, não me comunico com eles faz tempo desde que me mudara para Los Angeles, dos tempos de colégio só me comunicava mesmo com o Gustava, por que ele era meu representante no Brasil e agora meu agente. Merda. Que assunto nostalgico. Odeio isso, ainda mais por que hoje é o dia do meu anirversário. Merda. Com certeza vamos encontrar com mais familiares quando chegar nesse restaurante. Dessa vez minha mãe me enganou bem. Merda.

Depois de mais dez minutos no transito nós chegamos nesse novo restaurante. Maldito engarrafamento. Tive que ficar no silêncio constrangedor todo esse tempo. Concerteza minha propria mãe acha que a odeio. Não a culpo, mas não a odeio, só não sei falar com ela. Ou com ninguém se é que isso é importante.

Merda. Lá dentro do restaurante vejo vários familiares que não vejo faz anos. Concerteza vão puxar papo chato comigo. Merda. Começo a pensar que sou uma pessoa mal agradeçida, mas aí falo com meu primo por parte de tia e tudo volta ao normal de novo. Eles são os chatos. Pedimos nossas refeições e esperamos vinte minutos até cinco garçons as trazerem, nesse meio tempo me perguntam perguntas dessiteressante como, “como você está?”, “Você não se cansa de ser tão premiado e aclamado tanto fora quanto aqui?”, “Alguma futura esposa que não conhecemos?”, perguntas assim. Me limito a responder com, “Bem”, “Não”, “Não que eu saiba”, e assim continua até todos colocarem suas comidas na boca me esquecerem que sequer era meu aniversário, não antes do constrangedor parabéns pra você. Pela janela vejo vários fotografos tirando fotos dessa minha reunião familiar, Já me acustumei com eles. Finjo um sorriso para as fotos. Malditas fotos.

O almoço termina todos se despedem e logo estou no carro dirigindo para minha mãe, estamos na metade do caminho quando ela pede para baixar as janelas de desligar o ar para que ela possa sentir o vento. Por mais que não pareça, eu a amo muito, e por isso me sinto culpado por não demonstrar frequentemente ou bastante.

Perto da loja encontro uma vaga para estacionar, cuidadosamente porém não lentamente me dirijo a vaga, mas um motoqueiro passa rapidamente pelo lado da minha mãe e grita “puta” para ela, por algum milagre ela não escuta e me pergunta o que ele falou, digo que também não escutei. Ele se distancia do carro, mas ainda consigo ver sua placa: “hgv-9898″, memorizo essa placa. Maldito motorista. Logo estaciono o carro e vou abrir a porta dela, logo depois que ela sai eu fecho o carro. Enquanto ela entra na loja eu continuo a olhar a direção em que o motorista foi. Merda.

#4

4

 

Abro a porta, estou em casa. Não, casa é uma palavra forte demais. Estou no lugar que uso pra dormir. Chego a tempo, Suzana está quase desligando o meu computador, pulo para impedi-la. Rapidamente a afasto dele e me certifico que ela não fechou nenhum de meus programas. Ela logo começa a tagarelar me perguntando por que tanto cuidado com um computador que nem uso direito, eu respondo.

-Por que eu escrevo nele, por isso – Me certifico novamente se todos meus programas estão abertos.

-Tudo que tem aí é uma página com seu nome. Nem ao menos um titulo tem e o msn, no qual você tem zero contatos. A sua conta de luz deve estar muito alta já que esse computador nunca é desli…- Não deixo ela terminar de falar e começo a procurar por algo no meu sofá.

- A conta, o dinheiro e o computador são meus e faço o que quiser com eles, ok? ok – Respondo logo por ela para que me deixe em paz.

Continuo a procurar por algo no meu sofá, bagunço toda a sala atrás disso, até que Suzana volta a falar comigo.

- O que o senhor está procurando? – Me indaga com um olhar raivoso.

- Minha carteira de motorista- Jogo mais um travesseiro para longe.

- Achei aí no sofá e coloquei na estante – Me fala ainda com um olhar raivoso. Não me importo com esse olhar, várias mulheres depois de me conhecer só me olham assim.

Vou na direção da estante e pego a minha abilitação, logo em seguida tiro do bolso da minha bermuda minha carteira e coloco a abilitação lá. Me apresso para ir embora. Abro a porta, porém perto de fecha-la, Suzana volta a abrir o bico.

- Se posso perguntar, o senhor não tem carro, então por que precisa da abilitação? – O mesmo olhar raivoso de antes permanece.

- Você já perguntou. Vou dirigir um carro de outra pessoa – Falo secamente e depois vou embora de lá, fechando a porta com força.

 

Saio do taxi, estou em frente a uma linda casa de dois adares, na sua frente está um Honda civic. Sua dona, bem arrumada está na sua frente esperando por alguém. Minha mãe. Pago a corrida e corro em sua direção. Ela me dá um seco olá e me informa que estou atrasado enquanto joga a chave do carro pra mim. Quase a deixo cair. Maldito seja. Entro no carro, dou um beijo em sua bochecha e pergunto aonde vamos, ela me responde que primeiro vamos almoçar em um novo restaurante que abriu perto da orla de Copacaba e depois iremos numa dessas lojas naturais comprar o que ela prescisa. Malditos produtos naturais.

#3

3

Lá dentro encontro a linda secretária dele atendendo um telefonema, com um gesto digo para ela ficar em silêncio para que possa surpreende-lo. Abro a porta de sua sala e o vejo conversando com um cliente, Gustavo, meu cliente realmente fica surpreso e puto com isso enquanto o outro cliente fica em uma espécie de estado catatonico.

-Finjam que nem estou aqui – Digo com um sorriso sarcástico

-Difícil…Então, onde estavamos Sr. Ripardo? – Me responde com desdém antes de voltar a falar com o jovem escritor a sua frente.

-Bem, como eu disse anteriormente, o escritor do meu livro, Gabriel embarca numa jornada de auto-descobrimento enquanto tenta voltar a esc… – Ele fala entusiasmado, até eu o interrompelo.

-Deixa eu ver se eu etendi, você é mais um escritor que propõe um livro sobre um escritor que está com um bloqueio criativo então entra numa jornada voltando a falar com seus amigos distantes com um tom de Bukowski nisso? – Pergunto sarcásticamente.

Ele parece não ter resposta alguma para minha pergunta e volta a encarar Gustavo sem dizer palavra alguma.

-Você sabe quem eu sou? – Pergunto a ele.

-Sim- Responde timidamente.

-Bem, se você quiser o Gustavo aqui me faz uma copia, eu leio e digo honestamente o que achei, que tal? – Pergunto enquanto apago meu cigarro.

- Ok – Ele responde num semblante confuso.

-Então o farei – Respondo rapidamente.

Logo depois disso ele volta a encarar Gustavo que encerra a reunião com um aperto de mãos. Logo após que o tal Ripardo se foi Gustavo me reeprendeu enquanto se sentava na sua cadeira. Me levantei do divã e fui em sua direção, enquanto ele falava.

-Você precisava assustar o garoto assim? com o seu papo de sabe-tudo? – Ele me pergunta enquanto procura alguma coisa na gaveta de sua mesa.

-Não, mas é divertido, de qualquer forma o que você queria na carta? – Pergunto enquanto acendo outro cigarro.

-Você leu? – Ele me pergunta após pegar uma pasta.

-Não – Dou uma baforada.

-Você ao menos abriu? – Me pergunta ao abrir a pasta.

- Não, deveria? – Segunda baforada.

Ele tira da pasta cinco revistas e joga na minha cara, pego nenhuma, só me defendo.

-Várias revistas, estão perguntando por que diabos você voltou pro Brasil e se você pretende escrever alguma coisa, após o seu polêmico discurso sobre drogas – Ele fecha a pasta.

- Eu respondo isso a você ou pra alguma dessas revistas? – Terceira baforada.

- Sabe, ás vezes eu mesmo me pergunto por que você voltou depois de tantos anos? – Guarda a pasta na sua gaveta.

-Saudade de você – Me levanto da cadeira e começo a andar pela sala.

-Sério – Ele pergunta desapontado.

-Quer mesmo saber? – Pego uma garrafa de whisky que tem na sala e coloco um pouco em um copo.

-Sim.

-Ok, eu digo – Tomo o gole de whisky, fecho a garrafa e ando em direção da porta.

-Então Fale – Ele está bem curioso.

-Sabe, Bloqueio criativo me levou a buscar minhas origens aqui no Brasil, para que eu possa escrever de novo – Respondo com um sorriso malicioso enquanto abro a porta da sala.

-Estou falando sério, por que? – Parece mais chateado do que nunca.

-É tudo que você queria falar? – Quarta e quinta baforada.

-Sim – Ele me responde enquanto procura algo na sua mesa.

Eu fecho a porta da sala, dou um sorriso pra a secretária e saio do escritório. Sétima baforada.

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