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Estou no mercadinho em Copacabana que frequento e novamente estou no caixa pagando por uma única garrafa de Vodka. Sem Pão dessa vez por que não pretendo comer coisa alguma ao chegar em casa. Assim que efetuo o pagamento saio sem pressa da loja e ando tranquilamente pelas ruas da cidade, enquanto o sol se põe e as últimas lindas mulheres de biquini se vão. O bom e velho cartão comercial da cidade. Comptemplo tudo isso enquanto abro a garrafa no caminho. Já não consigo esperar. As mulheres me dão olhadas maliciosas, e retribuo os olhares porém sei que nesses últimos dias não tive tanta vontade de me deitar com qualquer mulher. Quem sabe amanhã. Afinal acho que já estou com saudade dessa parte da rotina.
Depois de uma caminhada de vinte minutos chego no meu prédio. O sol se foi dando lugar á uma brilhante lua. Não é porra nenhuma de romantismo, ela realmente estava brilhando. Passo pela portaria, onde o porteiro parece pegar uma correspondência para mim, mas assim que eu passo direto por ele sinto no ar a desistência e as cartas já estão guardadas de novo, sem pressa para chegar nas minhas mãos.
Chego perto do elevador social, aonde do meu lado também esperando por ele está a senhora Leal com seu filho de cinco anos. Tomo um gole direto da garrafa. Não demora muito o elevador chega, sem pestanejar entro nele, mas noto que a senhora Leal e seu filho não. Eles estão na minha frente. Vão esperar eu chegar no meu andar e chamar o elevador de novo. Vadia. Merda. Acho que ela não é isso. A porta do elevador começa a fechar enquanto penso nisso. Bem perto de fechar tudo, vejo por uma fresta o filho dela me olhando com uma cara curiosa, não consigo parar de olhar para ele. Me sinto triste e decepcionado com o que me tornei pessoalmente. Vendi meus sonhos? Não, mas os meu Ideias foram prostituidos e só percebi isso agora. A porta se fecha e eu tomo mais um gole.
Chego no meu andar e vou na direção do meu apartamento, em seguida abro a porta dele e entro. Está tudo escuro, exceto pela luz que emana do meu notebook em uma mesinha perto da cozinha. Não acendo luz alguma e vou na direção dele.
Está tudo “normal”, da mesma maneira como o deixara semana passada ou desde que me mudara. Não importa. Coloco minha garrafa do lado dele que estava com uma página em branca do Word ligado e nela só estava escrita o meu nome. Um grande branco. Uma página esperando por palavras. Palavras que não sabia falar. Minimizo o word, e sem saber por que vou ver meu msn vazio, mas dessa vez encontro uma supresa. Alguem me adicionara e mandara um recado. Fora ela e no seu recado estava escrito que não pudera esperar que eu pegasse seu número com Gustavo, então ela pegou o meu mais o meu e-mail. Sem saber por que e sem me importar com isso dou um sorriso, logo depois, maximizo a página do Word de novo e deixo o computador sozinho.
Na sala, vejo um velho toca disco, que meu pai usara bastante. Gostava do som que saia dos LPs, era mais humano, o que é bastante estranho para uma pessoa tão anti social como eu. Não me importo com isso, o som é bom demais. Na estante pego um velho vynil do Raul Seixas. O dia em que a terra parou. Coloco-o no toca disco e boto para tocar na segunda faixa. Pego um cigarro do masso na minha calça e acendo-o na minha boca e logo em seguida começo a andar em direção da sacada iluminada pela lua enquanto levanto a garrafa de Vodka na direção da minha boca. Tomo mais um gole e já na sacada olhando para o céu começo a escutar atentamente “Maluco Beleza”.