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Depois de mais alguns minutos, estava entrando no prédio do Gustavo. Depois de estacionar o carro, ajudei ele a sair, o que foi dificil por que ele estava pesado e ainda bêbado. Depois de ter conseguido fechei o carro, e segurando ele pelo braço esquerdo, cambaleamos até o elevador que demorou a chegar. Com certeza são as malditas crianças que tem em todos os prédios simplesmente “passeando” com o elevador de um andar ao outro.

O elevador chega e imediatamente eu entro com Gustavo. Uma maldita criança sai de lá, se pudesse…Melhor nem pensar nisso, tem dias que eu realmente acho que sou uma má pessoa, mas ainda sim não me importo. Dentro do elevador Gustavo começa a procurar a chave de casa em algum bolso. Como todo mal bêbado ele começa a falar do meio do nada.

-Pelo dêmonio! Por que você voltou? Foi por causa do seu coméntario sobre drogas?! Você não devia quase incentivar crianças a fumarem, e ainda teve mais…- Eu sei como é etar bêbado. Já estive assim uma vez, mas depois dessa única vez criei estômago forte. Bem forte.

-Cale a boca!Você é um péssimo bêbado, dá até vergonha á classe- Eu estou rindo por dentro e ele por fora.

O elevador pra minha sorte chega no andar dele e logo estamos cambaleando pelo hall até chegar na porta de seu apartamento de novo. Ele ainda não achou a chave, então coloco a mão em um bolso de sua calça e no mesmo momento tiro as chaves que ele não conseguia achar. Abro a porta e entramos em um claro apartamento de uma pessoa casada e com filhos. Coloco ele no sofá da sala de estar e procuro saber se tem alguem na casa. Ninguém. Ele ainda está deitado no sofá quando ele me avisa que a sua mulher vai chegar daqui a pouco com as crianças. Me pergunto se isso não é algo induzido pelo álcool. Que se dane. Ele está bêbado demais para se levantar mesmo, mas antes pego na cozinha uma pequena garrafa de whisky, igual aquelas que servem em aviões. Dever ser.

Estou abrindo a porta do apartamento para ir embora quando Gustavo volta com seu papo de bêbado.

-Por que você voltou? Não pergunto isso como agente, mas como amigo. Merda. Foi por causa da morte do seu pai. Merda você está vivendo o apartamento dele e não mudou nada lá. Crise Pra escrever? Uma maldita dessa finalmente te pegou de jeito. Merda o que foi afinal?! Foi a T…? – Ele está bêbado mas ainda pensa bem – Bem, o que quero dizer é que…

-Eu não sou um personagem de filme, série ou livro. Não tenho motivos grandes pra fazer essa coisas. Isso é tudo neurose sua. Merda. Muita merda. Você não deveria beber, não mesmo. De qualquer forma eu já vou. Boa ressaca.

Estou prestes a fechar a porta atrás de mim quando ele fala uma última coisa.

-Um dia desses você tem que me dizer o por que. Você tem que…- Ele cala a boca subitamente. Acho que dormiu, mas ainda sim respondo.

-Ok – Falo isso com um olhar pra baixo e depois fecho a porta e vou embora.

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