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No meio do caminho até ao restaurante ela começa a reclamar que está é a segunda vez que nos vemos desde que me mudei há dois meses pro Rio. Talvez ela tenha razão. Maldição. Não posso deixa-la achar que tem razão se não ela vai piorar nas reclamações. Ainda me pergunta se eu falei com algum amigo meu dos tempos de escolas. Meus amigos. Que estranho só pensar isso, não me comunico com eles faz tempo desde que me mudara para Los Angeles, dos tempos de colégio só me comunicava mesmo com o Gustava, por que ele era meu representante no Brasil e agora meu agente. Merda. Que assunto nostalgico. Odeio isso, ainda mais por que hoje é o dia do meu anirversário. Merda. Com certeza vamos encontrar com mais familiares quando chegar nesse restaurante. Dessa vez minha mãe me enganou bem. Merda.
Depois de mais dez minutos no transito nós chegamos nesse novo restaurante. Maldito engarrafamento. Tive que ficar no silêncio constrangedor todo esse tempo. Concerteza minha propria mãe acha que a odeio. Não a culpo, mas não a odeio, só não sei falar com ela. Ou com ninguém se é que isso é importante.
Merda. Lá dentro do restaurante vejo vários familiares que não vejo faz anos. Concerteza vão puxar papo chato comigo. Merda. Começo a pensar que sou uma pessoa mal agradeçida, mas aí falo com meu primo por parte de tia e tudo volta ao normal de novo. Eles são os chatos. Pedimos nossas refeições e esperamos vinte minutos até cinco garçons as trazerem, nesse meio tempo me perguntam perguntas dessiteressante como, “como você está?”, “Você não se cansa de ser tão premiado e aclamado tanto fora quanto aqui?”, “Alguma futura esposa que não conhecemos?”, perguntas assim. Me limito a responder com, “Bem”, “Não”, “Não que eu saiba”, e assim continua até todos colocarem suas comidas na boca me esquecerem que sequer era meu aniversário, não antes do constrangedor parabéns pra você. Pela janela vejo vários fotografos tirando fotos dessa minha reunião familiar, Já me acustumei com eles. Finjo um sorriso para as fotos. Malditas fotos.
O almoço termina todos se despedem e logo estou no carro dirigindo para minha mãe, estamos na metade do caminho quando ela pede para baixar as janelas de desligar o ar para que ela possa sentir o vento. Por mais que não pareça, eu a amo muito, e por isso me sinto culpado por não demonstrar frequentemente ou bastante.
Perto da loja encontro uma vaga para estacionar, cuidadosamente porém não lentamente me dirijo a vaga, mas um motoqueiro passa rapidamente pelo lado da minha mãe e grita “puta” para ela, por algum milagre ela não escuta e me pergunta o que ele falou, digo que também não escutei. Ele se distancia do carro, mas ainda consigo ver sua placa: “hgv-9898″, memorizo essa placa. Maldito motorista. Logo estaciono o carro e vou abrir a porta dela, logo depois que ela sai eu fecho o carro. Enquanto ela entra na loja eu continuo a olhar a direção em que o motorista foi. Merda.