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Já é noite, deixei minha mãe em casa e peguei um taxi pro meu prédio, ao chegar perto da entrada tiro um cigarro do último maço no meu bolso, penso que tenho que comprar mais se não tiver em casa. O acendo e dou uma longa tragada, logo após ela entro no prédio. O porteiro tenta chamar a minha atenção, porém ele desiste após eu dar mais uma tragada. vou na direção do elevador social, do meu lado tem uma loira bem gostosa esperando o elevador, percebo que ela me olha enquanto procuro no meu bolso as chaves do apartamento. O elevador chega, a deixo entrar primeiro e somente depois entro, ambos pressionamos os botons de nossos respectivos andares. A porta se fecha e trocamos olhares.

A porta do elevador se abre no meu andar, dentro dele, estou na maior pegação com a loira, meu ziper está aberto. Lentamente sem tirar lábio de lábio vamos na direção do meu apartamento. Sinto a mão dela se aproximar da minha calça, logo depois dentro dela, enquanto isso abro a porta do apartamento com a chave já na minha mão. A porta abre, ainda na maior pegação ligo a luz e do escura várias pessoas que não vejo desde a época do colégio pulam e gritam surpresa. Malditas pessoas.

Já se passou uns dez minutos e a loira foi embora deixando só o número telefônico dela. Pessoas do meu tempo de colégio continuam a me comprimentar, algumas ainda fazem piadinhas sobre a situação na qual elas me encontraram. Poucas faces eu realmente reconheço, e um número ainda menor de faces com que eu chego próximo de me importar. Pego uma garrafa de vodka na mesa e vou em direção da sacada, o único lugar sem ninguém no apartamento. Deus abençoe a vodka e aquela sacada.

Essa tranquilidade dura por apenas uns dois minutos, até que de dentro do barulhento e cheio apartamento sai para entrar na sacada, uma linda mulher morena, estatura média e com um sorriso que poderia até por alguns minutos tirar a minha cara amarrada. Ela segura uma taça de Dry Martini. Deus abençoe o Dry Martine e todas as outras bebidas álcoolicas. Ela tem um rosto familiar. Mentira horrivel. Conheço seu rosto, talvez nunca tenha esquecido. Merda. Nem pareço mas eu mesmo falando. Merda.

Ela se aproxima de mim com um sorriso impecável enquanto continuo a fingir que não estou ciente de sua presença. Seria melhor se fosse assim. Muito melhor. Ela começa a falar comigo, enquanto coloco a garrafa de Vodka na minha boca e entorno uma boa dose.

- Eu acho que neste ponto da vida, você já não se lembra mais de mim- Ela me fala ainda com um sorriso prenchendo a boca.

- Você não faz idéia de quanto eu não lembro- Minto pra mim, por que é mais fácil assim.

- Sou eu. Que bobo dá minha parte dizer isso. Ok. Lembra da garota que você gostava no ensino médio, quando você era só um sociopata tímido, sabe antes de começar aparecer na porta de sua própria casa da maneira que chegou hoje- Ela ri enquanto fala. Um riso de criança que rir por rir.

- Honestamente…- Começo a falar, porém ela me interrompe.

- Sim- Diz secamente porém ainda sorrindo.

-Pra começar não era uma pergunta, o que eu ia dizer era, honestamente não- entorno a garrafa na minha boca logo em seguida.

-Ah…sim- O sorriso desapareçe de sua boca enquanto seu corpo deve ser tomado pela tímidez. Merda. Nem mais sei o que é uma tímidez espontânea e verdadeira.

Entorno a garrafa na minha boca de novo, porém nada sai dela. Vazia. Maldito vazio. percebo que está mais vazio que a minha carteira nesse momento e me dirijo a cozinha com fins de pegar algo para beber e depois ir pra algum outro lugar vazio. Talvez o vazio não seja tão maldito assim. Sim. Bendito vazio.Porém depois de uns cinco passos, ela volta a falar comigo.

- Então, você vai fazer comigo o mesmo que eu fazia com você? Simplesmente terminar a conversa desagrádavel e ir embora- Ela tenta formar um sorriso, mas tudo que sai é um protótipo de um sorriso.

- Ao menos você sabe que a conversa é desagrádavel- Falo secamente enquanto tento voltar a andar pra pegar mais bebida. Não consigo.

- Isso foi rude- O protótipo de sorriso desaparçe e tomando seu lugar surge uma cara fechada.

- A vida é rude- Levanto a garrafa vazia de vodka no ar, quase que brindando a minha última frase.

- Não, você que é- Sua cara fechada agora é uma face de pura raiva.

Não sei por que mas dou um sorrisinho- Ok, eis o que aconteceria em qualquer outra reunião de colegas de época de colégio, nós nos encontrariamos, falariamos um pouco, sem dúvida beberiamos muito e fingiriamos estar interessados pela vida atual do outro, o que eu fiz foi pular os passos desagrádaveis. Sim talvez eu tenha sido rude, mas fui honesto, o que é uma boa virtude, não concorda? – O sorrisinho continua no canto da minha boca por motivos que não entendo.

Ela se cala com sua cara de raiva, enquanto volto a me dirijir a cozinha, porém ainda dentro do espaço da sacada paro e volto a encara-la.

- Então, você vai querer alguma bebida para que possamos continuar nossa discurssão? – Seu rosto de raiva some e no lugar apareçe um rosto confuso, mas mesmo assim ela concorda balançando a cabeça – Ok, T.- Falo rapidamente antes de ir pra cozinha.

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