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Já amanhaceu faz horas, apesar de ter levantado levantado relativamente cedo, 10: 00, ainda fiquei deitado por mais uma hora e meia, inicialmente pensando na vida ou na falta de uma, até que minhas neuroses resolveram atacar, e desse momento em diante passei a lutar contra elas. Maldita Mente eu tenho as vezes, acho que é o preço por ser genial. Todo gênio é pirado. “Louco” não é uma palavra que expressa o grau de insanidade que nos ataca desprevenidamente.

Quando o relógio do lado da cama marca onze e trinta e cinco, me levanto da cama, com a mesma roupa de ontem, e saio do apartamento sem ao menos trocar uma palavra com Susana. Ela deve me achar um cretino maior a cada dia que passa, mas afinal quem se importa? Eu certamente que não.

Eu já estou andando pelas calçadas de copacabana, usando um ocúlos escuro que estava em um bolso de minha calça. Achava que tinha perdido ele um há um mês, desde que mudara pro Brasil de novo.

Estou me dirigindo a um restaurante que Gustavo me mandou ir afim de encontra-lo. Acho que ele me disse isso antes de sair, mas me pergunto se isso não passou de algum sonho, já que não me lembro de ter visto ele indo embora, não me lembro de nada para falar a verdade. Devo ter desmaiado.

Depois de uma caminhada de quinze minutos, cruzando várias mulheres bonitas que me dão olhadas profundas, chego até o restaurante. Logo que entro nele, me sinto perdido diante a esse mar de rostos, mas após alguns segundos vejo Gustavo levantar-se de sua mesa, usando roupa formal, e acenar em minha direção. Sem pressa, ando até chegar lá, e quando o faço percebo quem tem outra pessoa na mesa. Ele é um cara com uns quarenta e poucos anos de idade, usando uma roupa formal tal como Gustavo porém com ocúlos de grau. Penso que isso deve ser alguam proposta idiota de algum emprego idota para escrever algo igualmente idiota, então agradeço a minha preguiça, por que ele já deve ter mudado de idéia imediatamente após me ver com uma roupa amassada e fedendo á uso de dias. Amém a isso.

Eu me sento sem cerimônia e logo Gustavo passa a nos apresentar um ao outro, não presto atenção alguma, me importando mais no que faria assim que saisse de lá. Merda. Boa pergunta essa, o que eu faria após sair de lá?

Acendo um cigarro ali mesmo, sem me preocupar em saber se podia ou não. Logo Gustavo começa e me dizer a tal proposta do cara sentado na minha frente. Aparentemente eu ganharia uma boa quantia para escrever mensalmente artigos sobre cinema e televisão para uma revista pop no estilo da Rolling Stones, só que sem qualiadade apesar de dar bastante lucro. Não me importo com o dinheiro, só com a minha reputação que até então, profissionalmente era mais do que perfeita.

Dou uma tragada e começo a falar com Gustavo, ignorando a presença de uma terceira pessoa ali.

- Sabe Gustavo, aqui no Brasil você sempre fora meu representante, e como nunca vinha aqui você tinha que fazer bem pouco, porém agora você é meu agente, e apesar disso você está me tratando feito uma prostituta. Uma prostituta barata. Por algum motivo você acha que eu sou uma e que você é meu cafetão. Está longe de ser assim. – Logo após dizer isso dou mais uma tragada e começo a falar com o outro cara que até em tão não dava sequer vestigios de atenção – Bem, Caro…Seja lá qual for seu nome, diga a sua revista que não estou interessado em trabalhar para ela, mas quem sabe quando estiver pobre, o que está bem longe de acontecer, irei me prostituir pra vocês – Termino de dizer isso e percebo que ele está um tanto chocado, então dou mais uma tragada do meu cigarro.

Ele ainda está em estado de choque quando me levanto e aviso pro Gustavo, que assim que ele terminar com tudo isso estarei lá fora esperando por ele para me dar carona, logo após isso estendo minha mão e aperto a mão do cara que devo ter insultado agora. Foda-se. Vou embora do restaurante dando mais uma tragada.

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